sábado, 6 de junho de 2015

Mais reflexões

02: Apresente suas reflexões sobre o processo de entrevistas e narrativas dos sujeitos, principalmente, sobre a noção de pertencimento sobre a"pracialidade" nos espaços percorridos por você, seja nos diferentes logradouros, seja na praça. Que conceitos estudados vocês destacariam para este relato reflexivo? Perceber como o sujeito se vê em um espaço e como ele se identifica com ele e com sua arte é um passo importante para entender o processo de pertencimento a um espaço e lugar da cidade. E uma das melhores maneiras de se compreender esse sentimento de pertença se faz com a utilização dos métodos de investigação como a entrevista ou depoimento, quando o sujeito relata sua relação com os espaços da cidade, descrevendo sua percepção de identificação ou não com aquele lugar. E mais uma vez a pesquisa etnográfica é uma metodologia aplicada a essa atividade, pois ela permite que o sujeito se veja interagindo com o ambiente e em diálogo com ele. E para se perceber sujeito ativo nesse contexto da cidade como espaço de diálogo, educação e arte é que o Dr. Imanol Aguirre destaca a ideia de Dewey ( 1934) em que “ a obra de arte desenvolve e ressalta o que é significativamente valioso nas coisas que apreciamos diariamente.” E é nos espaços públicos que esse movimento se dá. A praça é um desses lugares, pelo qual muitas pessoas passam se identificando ou não, interagindo com ele ou não. É nesse movimento que as relações se constroem, mas por que o espaço público é importante para se vivenciar a arte e a vida coletiva? Para responder essa questão destaco Lilian Amaral quando cita Queiroga (2001): “Pracialidades são concretudes, existências que se situam no tempo-espaço, participando da construção e das metamorfoses da esfera da vida pública.” E são nessas praças que se dão as inter-relações, são onde ocorrem as relações de comunicação, culturalização e até interterritorialidade, pois como percebi em minhas visitas a Praça da Matriz de Aparecida de Goiânia, ela se tornou local de descanso para vários haitianos, que vieram para essa cidade em busca de novas oportunidades de emprego e mudança de vida, porém não consegui verbalizar histórias com eles pois falam em francês, mas nos inter-relacionamos por gestos e sorrisos, que mesmo sem depoimentos percebemos que esse espaço já faz parte de seus momentos e de sua nova história. E o interessante é que as pessoas não se veem nessa dinâmica do movimento da história de sua praça. Quando pedi para o Gabriel relatar sua experiência com a Praça Matriz de Aparecida de Goiânia, ele respondeu inicialmente que não tinha nada para falar sobre ela, mas quando iniciamos a gravação do depoimento, ele foi percebendo que a praça existia nele mesmo, em sua história pessoal, no final o Gabriel se surpreendeu com a constatação de que havia muito para falar, pois somente nos identificamos com aquele lugar ao qual pertencemos e nos identificamos de alguma maneira. Por Alessandra Donizete Juliano Foto: Arquivo pessoal - Lateral da praça com os haitianos sentados no banco da praça.
Bibliografia: AGUIRRE. Imanol, Questões Multiculturais para o Ensino de Arte. In Trama 7/ Universidade Federal de Goiás, Org. por Leda Maria de Barros Guimarães – Goiânia: FUNAPE, 2012. AMARAL. Lilian, Ateliê de Poéticas Urbanas. In Trama 8/ Universidade Federal de Goiás, Org. por Leda Maria de Barros Guimarães – Goiânia: FUNAPE, 2013.

Nenhum comentário:

Postar um comentário